Desde março a
Vila está com as atividades econômicas paralisadas por conta da pandemia no
novo coronavírus. O local é um dos principais destinos turísticos do Ceará. Só
em julho, são quase 70 mil turistas.
Um
dos destinos mais procurados pelos turistas no Ceará, a Vila de Jericoacoara,
localizada no município de Jijoca de Jericoacoara, litoral Norte do Estado,
retomará suas atividades, gradualmente, a partir do dia 8 de agosto. De acordo
com decreto municipal assinado neste sábado (1º), fica autorizado reservas em
hotéis, pousadas e meios de hospedagem, porém é necessário seguir estritamente
os protocolos sanitários.
O
novo decreto de funcionamento destaca também que restaurante e barracas de
praia e lagoa, terão horário de funcionamento reduzido e público limitado a 50%
da capacidade local. Além disso, as empresas que terão retomada gradual
“deverão adotar todos os cuidados necessários para a preservação da saúde e da
integridade de seus entregadores e clientes”.
Segundo
Secretário de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Meio ambiente do Município,
Ricardo Gusso, mais de 600 pessoas, que trabalham diretamente com o turismo na
região, estão sendo capacitadas, por meio de treinamentos, em biossegurança
para a retomada das atividades.
“Esperamos
que quando reabrir a Vila, e reabrir também a Lagoa do Paraíso, todos possam
colocar em prática todo esse aprendizado, os protocolos de segurança que vem
sendo orientados”, pontua.
O
documento para a liberação gradual levou em consideração os números da pandemia
na região, onde a taxa de letalidade é umas da menores do Ceará (1,4%). Outro
critério considerado foi as necessidades dos setores econômicos do Município,
que tem no turismo a sua maior movimentação, mas frisando a “prudência e
responsabilidade social de conter os índices de contaminação comunitária
causada pela propagação do vírus”, frisa.
Esse
impacto econômico foi sentido fortemente pela empresária do ramo do turismo,
Ana Clara Souza. “Para gente foi uma situação bem complicada, porque nós nunca
tínhamos ficado sem turistas aqui na Vila [de Jericoacoara], mas a procura
continuava e tínhamos que negar e já estamos, praticamente, a cinco meses sem
trabalhar, um impacto muito grande”, conta. A Vila recebe cerca de 70 mil
turistas só no mês de julho, segundo a Prefeitura do Município.
Hospedagem
Os
serviços que pararam ainda em março, podem voltar a realizar reservas em
hotéis, pousadas ou qualquer outro meio de hospedagem, mas fica sendo
obrigatório seguir o protocolos sanitários, como fornecer os equipamentos de
proteção individual, tanto para clientes quanto para funcionários, além de
adotar medidas para evitar aglomerações no estabelecimentos.
Também
fica obrigatório “a comunicação pelos estabelecimentos a todos os
hóspedes/clientes das restrições municipais, bem como a permanência de
comunicados e orientações sanitárias nas dependências do estabelecimento”,
enfatiza do documento.
Pensando
nesses protocolos, de acordo com Helena Farias, uma série de adaptações foram
feitas na pausada pela qual é responsável.
“Estamos
a algumas semanas com um grande investimento, como o para locais físicos, como
construção de locais específicos para recebimento de mercadorias, higienização
e sanitização. [Também] fizemos investimento em toda a parte de madeira que
tínhamos, todo nosso mobiliário foi novamente pintado com material possível de
sanitização”, destaca.
“Fizemos
investimento em EPIs para funcionários, além de máscaras e álcool em gel para o
cliente que chega, o nosso hóspedes. Além disso investimos treinamento, todas
as equipes foram treinadas com manuais específicos para cada setor. Então
acreditamos que vamos retomar seguros dos protocolos de prevenção a Covid-19
que estamos cumprindo”, aponta Helena.
Restaurantes
As
barracas de praia e lagoa, e restaurantes, também receberam uma orientação mais
específica no decreto municipal de 1 de agosto. De acordo com o documento os
estabelecimentos só poderão funcionar, em ocupação de espaço físico
presencialmente por clientes, das 7h às 18h. Depois desse horário, só é permitido
a retirada ou entrega de refeições, sem atendimento em mesa ou balcão no local.
Os
restaurantes também devem garantir um público presencial limitado a 50% da
capacidade total do local. No local, as mesas tem que ser organizadas a um
afastamento mínimo de 2 metros. E também fica fica de responsabilidade do
estabelecimento evitar aglomerações, no interior e exterior dos locais.
“Em
caso de formação de filas, dentro ou fora do estabelecimento, deverão ser
obedecidas as medidas de prevenção quanto ao distanciamento mínimo (com as
devidas demarcações realizadas pelo estabelecimento) e ao uso de máscaras e
EPI’s”, aponta o decreto.
A
empresária Mariela Leitão, dona de dois restaurantes na ilha, conta que fez
mudanças estruturais no estabelecimento para dar mais segurança tanto a
clientes quanto a funcionários, nesse momento de retomada das atividades. “Eu
abri todo o teto para ficar 100% ao ar livre, para conseguir dar segurança aos
frequentadores”, comenta.
“E
lógico, que depois, eu acho que Jericoacoara, não vai ter dificuldade nenhuma
de ter um turismo mais frequente, e aos poucos a gente vai se adaptando. Não
vai ser fácil”, conclui.
Fonte: Matéria do Diário do Nordeste